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Diretório Central dos Estudantes "Apolonio de Carvalho"
História e conjuntura da UENF

UM ESQUEMA DE HISTORIA POLÍTICA DA UENF E A SUA PRESENTE CONJUNTURA


Dado o atual momento de incertezasconflitos internosxternos por que passa a nossa luta salarial e, afinal, a própria UENF (que se avizinha de uma nova eleição para a Reitoria e de uma nova eleição para a ADUENF), creio ser relevante não só acadêmica, mas também estrategicamente, para nossos movimentos, o indispensável auxílio de ao menos uma tentativa de esboço da história política da própria instituição. Sem história o presente fica empobrecido na trama dos eventos imediatos e o futuro, por extensão, fica privado de analise de possibilidades endências que se desdobram a partir da trajetória histórica da instituição e de seus movimentos.


1. AS DUAS "ONDAS" TRIENAIS: 1993-1995 e 1999-2001


Até 2001, a UENF experimentou duas ondas "positivas" e trienais que alavancaram a instituição de diferentes modos:

1.1 A "onda pioneira" de 1993-1995

Trata-se da onda dos "pioneiros fundadores" da UENF, a partir da liderança de Darcy Ribeiro. Uma onda indispensável a qualquer instituição nascente. A começar pelo título de "Universidade do 3º Milênio". Com um formato fortemente hierarquizado (forte relevo para os pesquisadores Titulares) e com ênfase maior na pesquisa voltada para o desenvolvimento da Região, essa onda de um novo projeto estimulante de universidade começa a se deteriorar a partir de 1995. BrizolaDarcy perdem as eleições no ano anterior e o novo governo - totalmente adverso a Brizola - deixa de ter qualquer prioridade maior ou estratégica face a UENF. Ao contrário, começa uma longa luta para a conquista da autonomia institucional (ainda que mínima, dentro dos padrões possíveis naquele momento no país) da UENF face a sua mantenedora (e, afinal, sua efetiva condutora), a FENORTE. Até 1998 essa luta ainda parecia condenada a uma longa trajetória ou luta de resistência; aí temos o nascedouro efetivo da combativa ADUENF. Mas a partir de 1999 esse processo de emancipação institucional começa a ganhar um forte dinamismo e uma forte inflexão acontece. Há que se reconhecer, porem, que a "energia" original da onda 1993-1995 foi decisiva na geração desse novo processo de luta que vai desaguar em 1999.

1.2 A "onda da autonomia" de 1999-2001

Durante a campanha de 1998 o então candidato Garotinho acenou com a perspectiva da autonomia da UENF face a FENORTE; escolhido pelo governador um Reitor pró-tempore da UENF para o primeiro semestre de 1999 e depois um Reitor realmente eleito pela nossa comunidade, ficou claro até o fim desse ano que aquela promessa não se cumpria... Já, portanto, na segunda metade de 1999, começa uma nova e impressionante onda, agora com os movimentos (docentes, funcionários e alunos) navegandopilotando a sua crista. O pico dessa onda se deu via movimento grevista altamente coordenado (pelos três movimentos) que começa em meados de 2000 e se estende, com idas e vindas, até o final de 2001, quando finalmente se arrancou do governador a tão almejada autonomia. Destaque-se o peso do movimento estudantil, principalmente na fase final desse processo e do alto e entusiasmado índice de participação docente e de técnicos-administrativos em suas respectivas assembléias. Aqui valeria uma analise de tais assembléias em termos de teoria de movimentos sociais, particularmente com origem no conceito weberiano de "estado nascente" de 1918 ("Economia e Sociedade"). Mas isso fica prá outra hora...

Para finalizar esse item 1.2: essa onda 1999-2001 trouxe profundas modificações políticas na UENF: uma delas foi o fim ou cansaço da chamada "república dos titulares". Esta "república" parecia, ainda em 1998, bastante estável; quatro anos depois, em 2002, pouco restava dela...

1.3 2005-2007 ou a "onda que não veio"

Esse ciclo de ondas foi interrompido no restante da presente década. Ele parecia que iria retomar seu curso no início de 2005, mas isso acabou não acontecendo. Ao contrário. Entramos numa fase de estagnação política a partir de meados de 2005. Podemos tentar levantar ao menos um dos fatores determinantes desse estado de coisas. Para isso temos que voltar a meados de 2003, a partir do período de uma nova Reitoria que então começava. Como vem acontecendo com os movimentos docentes das universidades públicas do país, chega-se a um momento onde parte dos quadros de um dado movimento docente combativo migra para a administração universitária. Nada de pecaminoso nisto. Mas como os ritmos políticos de movimentos sociais e de instituições públicas não são, nem podem ser os mesmos, tende-se a se criar zonas de atrito entre as duas instâncias. Atritos maiores, atritos menores: a variedade é grande. Particularmente, no caso da UENF, esses atritos desde praticamente o início da Reitoria de junho de 2003, começaram e tenderam a ser tornar muito fortes e culminaram numa contenda fratricida (para tranqüilidade do então governador...) no clímax de uma greve que começara no final de 2004: março a maio de 2005 (quem quiser julgar "imparcialmente" cada "lado" do conflito terá que, no mínimo, ter a historia detalhada do conflito nas mãos; certamente isso só não basta, pois ainda estamos mergulhados, ora mais, ora menos, nessa mesma trajetória conflituosa desde então, e isso interfere subjetivamente em qualquer análise histórica "imparcial"; o melhor mesmo ainda, para a UENF, seria o fim do conflito). Com o fim dessa greve, os três movimentos e a UENF de modo geral entraram num quadro de profundo refluxo ou retrocesso político. Um dos indicadores desse quadro, em termos institucionais, ocorreu na campanha para a Reitoria de 2006: de um modo inusitado o cargo de Reitor não pareceu mais atrativo para aqueles quadros da UENF que "naturalmente" deveriam postula-lo; dois jovens docentes se apresentaram então nesse curioso "vácuo político".


2. 2010-2012: UMA NOVA "ONDA"?


Com aquele quadro retro-mencionado de refluxo a partir de junho de 2005, os três movimentos a muito custo conseguiram sobreviver inicialmente e se mantiveram em nível político de "baixa intensidade" (com pequenos períodos de exceção) até praticamente meados do presente ano, quando aconteceu a famosa "bofetada" ("involuntária"?) do governo estadual sobre o movimento docente: a questão do não pagamento dos 22% aos docentes (antes já haviam acontecido o "conto dos Royalties" e o "conto das chuvas no morro do Bumba"; o primeiro de tais "contos" culminou no dia 25 com o aborto do anuncio de aumento pelo atual governador aos nossos docentes, mas sem o impacto tão forte da mencionada "bofetada"; há quem diga que "o conto dos Royalties" já vai voltar com a aprovação pelo Legislativo Nacional em 01  da nova lei da partilha de royalties... "A primeira vez a historia acontece como tragédia, a segunda como farsa" [K. Marx, 1852].). Assim, a bofetada acordoumobilizou definitivamente os docentes: podemos localizar aí aproximadamente o início de uma nova onda, ainda em curso muito inicial de crescimento, e cujo futuro (vai ou não se sustentar como as outras duas grandes ondas?) ainda é incerto: a historia não é determinista. O movimento estudantil ensaiou uma retomada ainda no início do 2º período, mas somente agora explodiu com uma força que tem surpreendido. Serão decisivos na sustentação de uma nova onda de expansão política da UENF. Certamente o governo Cabral não contava com essa explosão, que traz um fator novo (e a todos nós favorável) na correlação de forças entre nossos movimentos e tal governo. Os técnico-administrativos, a seu modo, também procuram reorganizar suas forças. Enfatize-se ainda a correção da atual direção da ADUENF na articulação com a ASDUERJ (e agora com a ASDUEZO). Um dos bons frutos políticos, não previsto inicialmente nesse processo, está centrado na bandeira da DE como um instrumento de luta efetivo para tais movimentos docentes articulados em 2011. Mesmo com o novo "conto do complexo do Alemão" a caminho...

Se uma nova e vigorosa onda sustentável ainda é incerta, cremos que há mais clareza no que se refere a trajetória da "velha onda" em curso: ela dá sinais de que está-se saturando, de que está cansando ou perdendo o fôlego. Particularmente no que diz respeito a longa duração (recheada de diversas mini-fases de intermitência ou "coexistência pacífica") de relações conflituosas entre movimentos e Reitorias, desde meados de 2003 e que vem se sustentando "estável" apenas na esteira desse quadro de relativo refluxo político desde junho de 2005, refluxo este que hoje apresenta claros sinais de que está sendo superado. As lideranças dos movimentos e os possíveis candidatos as próximas eleições (Reitoria e ADUENF) deverão certamente levar em conta esse novo "estado da arte" em seus cálculos políticos.

O próprio processo eleitoral que se avizinha poderá ser uma importante fonte de sustentação dessa nova onda em curso. Inclusive, para manter acesa a chama dos movimentos em sua luta não apenas por melhores salários para docentes e servidores, mas para que o governo atenda agora uma pauta de reivindicações muito mais ampla de três segmentos (ele não teve a inteligência política de atender apenas a um dos movimentos enquanto podia...) e, em ultima instancia, para que o governo Cabral impeça essa sangria lamentável de quadros da UENF, bem como a dificuldade de se absorver novos quadros em concursos, relativamente a concursos nas Federais e nos IFFs em busca de salários bem mais compensadores. Aqueles governos responsáveis pelas universidades estaduais publicas do país que não tiverem o tirocínio e a dignidade de evitar esse estado de coisas caótico para suas universidades, devem merecer a maior execração pública possível (ficará o governo Cabral nessa lista "maldita"?). O ANDES, sindicato nacional dos docentes de terceiro grau, à qual nossa ADUENF é filiada, estará tentando em seu próximo Congresso Nacional em fevereiro próximo agilizar, de forma talvez inédita, uma luta minimamente unificada das estaduais públicas do pais contra essa "vala comum" de salários aviltados em relação as Federais: a proposta que serviu para disparar esse processo começou aqui, recentemente, em nossa ADUENF.

Assim como as outras duas ondas, essa terceira, caso se torne sustentável, poderá trazer um cortejo de novas conseqüências. Dependerá de nós...e das novas condições objetivas e históricas por que passam a CIÊNCIA (saindo do "velho" paradigma newton-cartesiano da modernidade ocidental para o "novo" paradigma sistêmico), o CAPITALISMO (gerandonfrentando uma monumental crise sistêmica, de natureza sócio-ambiental, desde os 70 e seu recente desdobramento em 2008-2009), o MARXISMO (devendo se atualizar tanto no que diz respeito ao novo paradigma da ciência, como na crítica àquele novo estágio de crise do capitalismo), o PAÍS (o Brasil querendo tornar-se potencia energética mundial e potência hegemônica na América do Sul e África portuguesa e a conseqüente necessidade de formação de quadros úcleos capazes de sustentar esse processo bi-facial) e a REGIÃO (nesse último caso, a atenção recai em cima do complexo portuário-energético cujo epicentro é Tomé Açu: essa é uma discussão central sobre o tema "desenvolvimento regional", à qual a UENF não poderá faltar, certamente com uma postura crítica). É necessário então retomar-se com mais fôlego - nesse novo e complexo contexto - a questão de um novo projeto de UENF, que deverá desaguar no "Plano de Desenvolvimento Institucional" (PDI) da UENF, com os primeiros passos ensaiados pela atual administração no final de seu mandato, e que deverá envolver todos os segmentos universitários. Um bom ponto de partida foi levantado pelo Prof. Pedlowski na Câmara de Graduação para o então pro-reitor, Prof. Almy (e logo transpassado para a aduenf lista de 13): "queremos ser UNICAMP (pesquisa) ou UNESP (interiorização)?". Os dois mencionados professores tiveram então respostas diferenciadas a tal questão, o que já dá uma primeira idéia da riqueza de tal debate. E a UENF nesse final de década? Tendo, como visto acima, perdido boa parte do ímpeto e do projeto original darcynianos já na última década do século, a UENF tem levado adiante um penoso processo de institucionalização (após, principalmente, a conquista da autonomia em final de 2001), a partir de uma "terra arrasada" das administrações FENORTE, e de construção de alguns indicadores de excelência em termos nacionais (consubstanciados no lugar ocupado pela UENF no ranking das universidades públicas do país, um fator que praticamente todas as nossas lideranças, sindicais e institucionais, vem defendendo, principalmente quando diante da autoridade externa de membrossecretários de governo) ao lado de grandes problemas - acadêmicos e infra-estruturais - ainda irresolutos.

Crise em chinês, além do sentido de "ameaça", também tem o sentido de "oportunidade". Oxalá a terceira "onda" - presentemente emergindo da presente crise uenfiana - possa se desenvolver plenamente nos próximos (três?) anos e confirmar tal duplo significado sínico...(cuidado, não é "cínico"). A condição prioritária para esse novo ciclo deslanchar é conquistarmos salários que sejam no mínimo pareados com os das universidades federais.



Glauco, associado da ADUENF e membro da Diretoria (seção ANDES-RJ) do ANDES.

 

 

 

 
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